25.3.16

Carinho, abraço e canção marcam homenagem a Zuzu e Stuart Angel

“É tanta gente”, disse ela, baixinho, como a suspirar por dentro. “É tanta gente”, repetiu, e eu fiz coro com ela, de mãos dadas, a voz meio molhada de lágrimas, na ciranda que rodávamos em torno do Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos.

Ela é Hildegard Angel, jornalista, ativista em defesa dos direitos humanos e órfã de mãe e irmão. Zuzu e Stuart lhe foram tirados pela ditadura militar que assolou o Brasil de 1964 a 1985. São dois dos 436 nomes –Tanta gente! Tanta gente!-- impressos no monumento que abraçamos hoje, no parque do Ibirapuera.

Fotos Eleonora de Lucena




Era o final da Caminhada por Zuzu Angel, etapa número 32 da CORRIDA POR MANOEL. Hildegard e o marido, Francis, vieram do Rio para participar da homenagem à mãe, mulher de coragem que infernizou a ditadura, deixou a repressão de cabelos em pé por sua tenacidade e galhardia, incansável determinação em descobrir o que acontecera com seu filho, onde estava o corpo de Tuti.



Stuart Edgar Angel Jones foi preso e torturado por agentes do Cisa (Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica) na Base Aérea do galeão, no dia 14 de junho de 1971. Ele tinha então 25 anos.

Militante do MR8, ele era um dos poucos que sabiam o paradeiro do capitão Carlos Lamarca, então o homem mais procurado pela ditadura. Stuart levou seus torturadores à loucura: por maior que fosse o sofrimento, não falava.

Com o corpo já coberto de sangue e marcas de pancadas, foi levado ao pátio da base aérea, amarrado a um carro e arrastado pelo quartel. Em alguns momentos, era obrigado a colocar a boca no cano de escapamento do automóvel, respirando os gases venenosos --da janela de uma das celas, o então preso político Alex Polari assistiu à cena, que denunciou em carta enviada a Zuzu Angel.

Durante anos não se soube o que fora feito com o corpo –uma das versões era de que o cadáver fora transportado de helicóptero e jogado em alto mar.

Em dezembro de 2014, porém, Comissão Nacional da Verdade (CNV) apresentou depoimento do capitão reformado da Aeronáutica Álvaro de Oliveira Filho, que falou sobre o crime. Segundo ele, o corpo de foi enterrado na cabeceira da pista da Base Aérea de Santa Cruz, no Rio. O crânio já tinha sido encontrado havia quase 40 anos: quase completo, foi localizado em 1976 num terreno no centro do Rio: a terra da pista fora revolvida numa reforma e levada para o centro pela construtora responsável pelas duas obras.


Zuzu, a mãe de Stuart, morreu sem saber de nada disso. Do instante em que Angel desapareceu, a estilista –costureira, como preferia se identificar—dedicou todo o tempo de sua vida a tentar descobrir o corpo do filho.

Destemida, denunciou o crime em fóruns internacionais, entregou dossiê sobre o caso a representantes do governo dos Estados Unidos –filho de pai norte-americano, Stuart tinha dupla cidadania.

A mineira Zuleica virou uma guerrilheira em busca da verdade. Nos desfiles de moda, levava suas criações decalcadas com anjos –Angel, seu filho—e tanques de guerra.

A mãe incansável, desabrida e destemida, foi demais para a repressão. Zuzu foi assassinado em 14 de abril de 1976, e o crime apresentado como acidente de carro --assim como, três meses antes, o assassinato de de Manoel Fiel Filho havia sido apresentado como suicídio.


Foi essa história que lembrei falando para nosso grupo, reunido na manhã de hoje para homenagear Zuzu e Stuart. Éramos quase 30 pessoas nas escadarias do prédio a Bienal –palco de cultura, de moda, de mostras de literatura e arquitetura.


O eterno senador de São Paulo, Eduardo Suplicy, cumprimentou a todos, saudou Hildegard –que fez carreira profissional como colunista de moda—e trouxe sua palavra sobre o valor da luta pelos direitos humanos, da necessidade de resgatar a memória das lutas pela democracia, tão duramente conquistada e hoje sob violento ataque.



A jornalista, tão emocionada quanto todos nós, citou Shakeaspere para lembrar: “Quando a linguagem acaba, a violência começa”. Os incapazes de convencer por argumentos buscam ajuda na força bruta para impor seus conceitos, desejos vontades.

Nem por isso vencem, como a história já demonstrou. Ao contrário, estamos todos aqui como testemunhas da derrota dos ditadores, da vitória da democracia. E lembramos os heróis da liberdade e da legalidade neste momento em que a jovem democracia brasileira é alvo de ataques sem tréguas.

Nos tribunais, querem tirar do povo a soberania do voto. Em decisões arbitrárias, juízes chegam até a transformar em réus pais que choram seus filhos –quem nos contou a história foi um dos integrantes da Associação dos Familiares de Vítimas da Tragédia de Santa Maria.

Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, um incêndio irrompeu na boate Kiss, casa de diversão da juventude de Santa Maria, no centro do Rio Grande do Sul. Quando a fumaça baixou, a conta dos mortos passou de 240.



Um deles foi Rafael Paulo Nunes de Carvalho, então com 32 anos. O pai dele, Paulo, participou de nossa jornada de hoje. E contou que as autoridades públicas envolvidas no caso já não respondem a processo.

Ao contrário, estão nas barras dos tribunais pais de vítimas que protestaram contra a demora na apuração do caso, afirmando que os promotores não fizeram tudo o que deveriam ter feito para buscar e punir os responsáveis pela tragédia.

“Não quero ninguém na cadeia”, disse ele para nosso grupo. “Só quero que assumam o que fizeram, que assumam...” E mais não disse porque foi calado pelo próprio choro, pela emoção.



Paulo falou em uma parada que fizemos em frente ao Museu de Arte Moderna. Ali, um minicoral formado por amigos que reuni de última hora cantou “Angélica”, a música criada por Chico Buarque de Holanda e Miltinho em honra de Zuzu Angel.

Eleonora e eu, mais os baixos Afonso Sousa e Paulo Simon, que também tocou violão, fomos regidos pela cantora e professora de música Joana Matera. Não somos exatamente os melhores cantores do mundo nem os mais afinados, mas entregamos nosso som vindo da raiz, como diz a canção de Milton Nascimento.


Cantamos tendo por cenário, a gigantesca aranha criada pela escultora Louise Borgeois. Era a Mamãe –título da obra, referência à mãe da artista, uma tecelã restauradora de tapeçarias--   que assistia à nossa celebração de uma mãe guerreira, guerrilheira.

Assim seguimos, pequenos grupos entranhados em uma grupão, atravessando a grama, cruzando o verde do parque, rumando para nosso destino, o encontro com a homenagem aos 436 mortos e desaparecidos políticos.

Esses são os identificados oficialmente pela Comissão da Verdade. Há muito mais, como lembra o texto gravado no monumento: “Impossível incluir todos os nomes de milhares de trabalhadores rurais, indígenas, vítimas dos esquadrões de morte e outras pessoas também brutalmente executadas naquele período e que permanecem desconhecidos”.




A todos eles abraçamos, dando-nos as mãos e rodando em ciranda em torno da obra formada por uma série de colunas de ferro atravessadas por uma barra. Rodamos em ciranda, cada um chamando um nome.

“Presente!” Era nossa resposta à chamada por Zuzu Angel, Stuart,  capitão Lamarca, Marighela, Zoé Lucas, Luiz Eurico, Honestino Guimarães, Iara Iavelberg. Presente estávamos todos, presente estamos todos, para que nunca se esqueça, para que nunca mais aconteça.



A homenagem era para Zuzu, nosso carinho abraçava sua filha, Hildegard, mas a lembrança era para nossa história, como bem a disse a jornalista:

“Foram tantos que morreram de forma brutal, cruel, porque eram defensores do estado de direito, do estado democrático. Quando se homenageia uma vítima, lembramos a história de todas as vítimas, um herói são muitos heróis.”

Ela prosseguiu: “Nós estamos lembrando todos os brasileiros. Nós estamos lembrando desde Tiradentes, desde o mártir Tirandentes. È o fio que você puxa e através dele você visita a história do Brasil, visita a história de todos os tiranizados, vai até os quilombos, vai até todos os favelados, vai até os perseguidos pela polícia, você vai a todos aqueles que sofrem injustiça, aos meninos de Santa Maria, aos sequestrados que não aparecem”.

Encerrou: “Vamos sempre encontrar motivos para homenagear o heroísmo, o heroísmo do brasileiro, o brasileiro que sofre e que se cala, que tem de ter alguém que desperte nele o desejo, a coragem, o ímpeto de falar, de denunciar e de se manifestar”.



CORRIDA POR MANOEL – 32ª etapa

Homenagem a Zuzu Angel, percurso de cerca de 1,5 km no parque Ibirapuera, realizado em aproximadamente uma hora (eu fiquei tão emocionado que esqueci de ligar meu relógio com GPS, por isso todas essas aproximações)

Distância percorrida até agora: 332,41 km

LISTA DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS
Divulgada pela Comissão nacional da verdade em dezembro de 2014

Abelardo Rausch de Alcântara
Abílio Clemente Filho
Adauto Freire da Cruz
Aderval Alves Coqueiro
Adriano Fonseca Filho
Afonso Henrique Martins Saldanha
Aides Dias de Carvalho
Albertino José de Farias
Alberto Aleixo
Alceri Maria Gomes da Silva
Aldo de Sá Brito Souza Neto
Alex de Paula Xavier Pereira
Alexander José Ibsen Voerões
Alexandre Vannucchi Leme
Alfeu de Alcântara Monteiro
Almir Custódio de Lima
Aluízio Palhano Pedreira Ferreira
Alvino Ferreira Felipe
Amaro Felix Pereira
Amaro Luiz de Carvalho
Ana Maria Nacinovic Corrêa
Ana Rosa Kucinski Silva
Anatália de Souza Melo Alves
André Grabois
Angelina Gonçalves
Ângelo Arroyo
Ângelo Cardoso da Silva
Antogildo Pascoal Viana
Antônio Alfredo de Lima
Antônio Bem Cardoso
Antônio Benetazzo
Antônio Carlos Bicalho Lana
Antônio Carlos Monteiro Teixeira
Antônio Carlos Nogueira Cabral
Antônio de Araújo Veloso
Antônio de Pádua Costa
Antônio dos Três Reis de Oliveira
Antonio Ferreira Pinto
Antonio Guilherme Ribeiro Ribas
Antônio Henrique Pereira Neto
Antônio Joaquim de Souza Machado
Antônio José dos Reis
Antonio Luciano Pregoni
Antônio Marcos Pinto de Oliveira
Antônio Raymundo de Lucena
Antônio Sérgio de Mattos
Antônio Teodoro de Castro
Ari de Oliveira Mendes Cunha
Ari Lopes de Macêdo
Arildo Valadão
Armando Teixeira Fructuoso
Arnaldo Cardoso Rocha
Arno Preis
Ary Abreu Lima da Rosa
Ary Cabrera Prates
Augusto Soares da Cunha
Aurea Eliza Pereira
Aurora Maria Nascimento Furtado
Avelmar Moreira de Barros
Aylton Adalberto Mortati
Batista
Benedito Gonçalves
Benedito Pereira Serra
Bergson Gurjão Farias
Bernardino Saraiva
Boanerges de Souza Massa
Caiupy Alves de Castro
Carlos Alberto Soares de Freitas
Carlos Antunes da Silva
Carlos Eduardo Pires Fleury
Carlos Lamarca
Carlos Marighella
Carlos Nicolau Danielli
Carlos Roberto Zanirato
Carlos Schirmer
Cassimiro Luiz de Freitas
Catarina Helena Abi-Eçab
Célio Augusto Guedes
Celso Gilberto de Oliveira
Chael Charles Schreier
Cilon Cunha Brum
Ciro Flávio Salazar de Oliveira
Cloves Dias de Amorim
Custódio Saraiva Neto
Daniel José de Carvalho
Daniel Ribeiro Callado
Darcy José dos Santos Mariante
David Capistrano da Costa
David de Souza Meira
David Eduardo Chab Tarab Baabour
Dênis Casemiro
Dermeval da Silva Pereira
Devanir José de Carvalho
Dilermano Mello do Nascimento
Dimas Antônio Casemiro
Dinaelza Santana Coqueiro
Dinalva Oliveira Teixeira
Divino Ferreira de Souza
Divo Fernandes D' Oliveira
Dorival Ferreira
Durvalino Porfirio de Souza
Edgar de Aquino Duarte
Edmur Péricles Camargo
Edson Luiz Lima Souto
Edson Neves Quaresma
Edu Barreto Leite
Eduardo Antônio da Fonseca
Eduardo Collen Leite
Eduardo Collier Filho
Eduardo Gonzalo Escabosa
Eiraldo de Palha Freire
Eliane Martins
Elmo Corrêa
Élson Costa
Elvaristo Alves da Silva
Emmanuel Bezerra dos Santos
Enrique Ernesto Ruggia
Epaminondas Gomes de Oliveira
Eremias Delizoicov
Esmeraldina Carvalho Cunha
Eudaldo Gomes da Silva
Evaldo Luiz Ferreira de Souza
Ezequias Bezerra da Rocha
Feliciano Eugenio Neto
Felix Escobar
Fernando Augusto da Fonseca
Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira
Fernando Borges de Paula Ferreira
Fernando da Silva Lembo
Flavio Carvalho Molina
Flávio Ferreira da Silva
Francisco das Chagas Pereira
Francisco Emanuel Penteado
Francisco José de Oliveira
Francisco Manoel Chaves
Francisco Seiko Okama
Francisco Tenório Cerqueira Júnior
Frederico Eduardo Mayr
Gastone Lúcia de Carvalho Beltrão
Gelson Reicher
Geraldo Bernardo da Silva
Geraldo da Rocha Gualberto
Gerardo Magela Fernandes Torres da Costa
Gerson Theodoro de Oliveira
Getulio de Oliveira Cabral
Gilberto Olímpio Maria
Gildo Macedo Lacerda
Gilson Miranda
Grenaldo de Jesus da Silva
Guido Leão
Guilherme Gomes Lund
Gustavo Buarque Schiller
Hamilton Fernando Cunha
Hamilton Pereira Damasceno
Helber José Gomes Goulart
Hélcio Pereira Fortes
Helenira Resende de Souza Nazareth
Heleny Ferreira Telles Guariba
Hélio Luiz Navarro de Magalhães
Henrique Cintra Ferreira de Ornellas
Higino João Pio
Hiran de Lima Pereira
Hiroaki Torigoe
Honestino Monteiro Guimarães
Horacio Domingo Campiglia
Iara Iavelberg
Ichiro Nagami
Idalísio Soares Aranha Filho
Ieda Santos Delgado
Iguatemi Zuchi Teixeira
Inocêncio Pereira Alves
Iris Amaral
Ismael Silva de Jesus
Israel Tavares Roque
Issami Nakamura Okano
Itair José Veloso
Iuri Xavier Pereira
Ivan Mota Dias
Ivan Rocha Aguiar
Izis Dias de Oliveira
Jaime Petit da Silva
James Allen da Luz
Jana Moroni Barroso
Jane Vanini
Jarbas Pereira Marques
Jayme Amorim de Miranda
Jean Henri Raya Ribard
Jeová Assis Gomes
João Alfredo Dias
João Antônio Santos Abi-Eçab
João Barcellos Martins
João Batista Franco Drumond
João Batista Rita
João Bosco Penido Burnier
João Carlos Cavalcanti Reis
João Carlos Haas Sobrinho
João de Carvalho Barros
João Domingos da Silva
João Gualberto Calatrone
João Leonardo da Silva Rocha
João Lucas Alves
João Massena Melo
João Mendes Araújo
João Pedro Teixeira
João Roberto Borges de Souza
Joaquim Alencar de Seixas
Joaquim Câmara Ferreira
Joaquim Pires Cerveira
Joaquinzão
Joel José de Carvalho
Joel Vasconcelos Santos
Joelson Crispim
Jonas José de Albuquerque Barros
Jorge Alberto Basso
Jorge Aprígio de Paula
Jorge Leal Gonçalves Pereira
Jorge Oscar Adur
José Bartolomeu Rodrigues de Souza
José Campos Barreto
José Carlos da Costa
José Carlos Novaes da Mata Machado
José Dalmo Guimarães Lins
José de Oliveira
José de Souza
José Ferreira de Almeida
José Gomes Teixeira
José Guimarães
José Huberto Bronca
José Idésio Brianezi
José Inocêncio Barreto
José Isabel do Nascimento
José Jobim
José Júlio de Araújo
José Lavecchia
José Lima Piauhy Dourado
José Manoel da Silva
José Maria Ferreira de Araújo
José Maurílio Patrício
José Maximino de Andrade Netto
José Mendes de Sá Roriz
José Milton Barbosa
José Montenegro de Lima
José Nobre Parente
José Porfirio de Souza
José Raimundo da Costa
José Roberto Arantes de Almeida
José Roberto Spiegner
José Roman
José Sabino
José Silton Pinheiro
José Soares dos Santos
José Toledo de Oliveira
José Wilson Lessa Sabbag
Juan Antônio Carrasco Forrastal
Juares Guimarães de Brito
Juarez Rodrigues Coelho
Juvelino Andrés Carneiro da Fontoura Gularte
Kleber Lemos da Silva
Labibe Elias Abduch
Lauriberto José Reyes
Leopoldo Chiapetti
Líbero Giancarlo Castiglia
Lígia Maria Salgado Nóbrega
Liliana Ines Goldemberg
Lincoln Bicalho Roque
Lincoln Cordeiro Oest
Lorenzo Ismael Viñas
Lourdes Maria Wanderley Pontes
Lourenço Camelo de Mesquita
Lourival Moura Paulino
Lúcia Maria de Souza
Lucimar Brandão Guimarães
Lucindo Costa
Lúcio Petit da Silva
Luís Alberto Andrade de Sá e Benevides
Luisa Augusta Garlippe
Luiz Almeida Araújo
Luiz Antônio Santa Barbara
Luiz Carlos Augusto
Luiz Carlos de Almeida
Luiz Eduardo da Rocha Merlino
Luiz Eurico Tejera Lisbôa
Luiz Fogaça Balboni
Luiz Ghilardini
Luiz Gonzaga dos Santos
Luiz Hirata
Luíz Ignácio Maranhão Filho
Luiz José da Cunha
Luiz Paulo da Cruz Nunes
Luiz Renato do Lago Faria
Luiz Renato Pires de Almeida
Luiz René Silveira e Silva
Luiz Vieira
Lyda Monteiro da Silva
Manoel Aleixo da Silva
Manoel Alves de Oliveira
Manoel Custódio Martins
Manoel Fiel Filho
Manoel José Mendes Nunes Abreu
Manoel José Nurchis
Manoel Lisbôa de Moura
Manoel Raimundo Soares
Manoel Rodrigues Ferreira
Márcio Beck Machado
Marco Antônio Braz de Carvalho
Marco Antônio Dias Baptista
Marcos Antônio da Silva Lima
Marcos Basílio Arocena da Silva Guimarães
Marcos José de Lima
Marcos Nonato da Fonseca
Margarida Maria Alves
Maria Ângela Ribeiro
Maria Augusta Thomaz
Maria Auxiliadora Lara Barcellos
Maria Celia Corrêa
Maria Lúcia Petit da Silva
Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo
Maria Regina Marcondes Pinto
Mariano Joaquim da Silva
Marilena Villas Boas Pinto
Mário Alves de Souza Vieira
Mário de Souza Prata
Massafumi Yoshinaga
Maurício Grabois
Mauricio Guilherme da Silveira
Merival Araújo
Miguel Pereira dos Santos
Miguel Sabat Nuet
Milton Soares de Castro
Miriam Lopes Verbena
Monica Suzana Pinus de Binstock
Napoleão Felipe Biscaldi
Nativo da Natividade de Oliveira
Neide Alves dos Santos
Nelson José de Almeida
Nelson Kohl
Nelson Lima Piauhy Dourado
Nestor Vera
Newton Eduardo de Oliveira
Nilda Carvalho Cunha
Nilton Rosa da Silva
Norberto Armando Habegger
Norberto Nehring
Odair José Brunocilla
Odijas Carvalho de Souza
Olavo Hanssen
Onofre Ilha Dornelles
Onofre Pinto
Orlando da Silva Rosa Bomfim Junior
Orlando Momente
Ornalino Cândido da Silva
Orocilio Martins Gonçalves
Oswaldo Orlando da Costa
Otávio Soares Ferreira da Cunha
Otoniel Campos Barreto
Paschoal Souza Lima
Pauline Philipe Reichstul
Paulo César Botelho Massa
Paulo Costa Ribeiro Bastos
Paulo de Tarso Celestino da Silva
Paulo Guerra Tavares
Paulo Mendes Rodrigues
Paulo Roberto Pereira Marques
Paulo Stuart Wright
Paulo Torres Gonçalves
Pedro "Carretel"
Pedro Alexandrino Oliveira Filho
Pedro Domiense de Oliveira
Pedro Inácio de Araújo
Pedro Jerônimo de Souza
Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar
Péricles Gusmão Régis
Raimundo Eduardo da Silva
Raimundo Ferreira Lima
Raimundo Gonçalves de Figueiredo
Raimundo Nonato Paz
Ramires Maranhão do Valle
Ranúsia Alves Rodrigues
Raul Amaro Nin Ferreira
Reinaldo Silveira Pimenta
Roberto Adolfo Val Cazorla
Roberto Cietto
Roberto Macarini
Roberto Rascado Rodriguez
Rodolfo de Carvalho Troiano
Ronaldo Mouth Queiroz
Rosalindo Sousa
Rubens Beyrodt Paiva
Rui Osvaldo Aguiar Pfutzenreuter
Ruy Carlos Vieira Berbert
Ruy Frasão Soares
Sabino Alves da Silva
Santo Dias da Silva
Sebastião Gomes dos Santos
Sebastião Tomé da Silva
Sebastião Vieira da Silva
Sérgio Fernando Tula Silberberg
Sergio Landulfo Furtado
Sérgio Roberto Corrêa
Severino Elias de Mello
Severino Viana Colou
Sidney Fix Marques dos Santos
Silvano Soares dos Santos
Solange Lourenço Gomes
Soledad Barret Viedma
Sônia Maria de Moraes Angel Jones
Stuart Edgar Angel Jones
Suely Yumiko Kanayama
Telma Regina Cordeiro Corrêa
Therezinha Viana de Assis
Thomaz Antônio da Silva Meirelles Netto
Tito de Alencar Lima
Tobias Pereira Júnior
Túlio Roberto Cardoso Quintiliano
Uirassú de Assis Batista
Umberto de Albuquerque Câmara Neto
Valdir Salles Saboia
Vandick Reidner Pereira Coqueiro
Virgilio Gomes da Silva
Vitor Carlos Ramos
Vitorino Alves Moitinho
Vladimir Herzog
Walkíria Afonso Costa
Walter de Souza Ribeiro
Walter Kenneth Nelson Fleury
Walter Ribeiro Novaes
Wânio José de Mattos
Wilson Silva
Wilson Souza Pinheiro
Wilton Ferreira
Yoshitane Fujimori
Zelmo Bosa
Zoé Lucas de Brito Filho

Zuleika Angel Jones

23.3.16

Marcos e monumentos lembram mortos e desaparecidos da Universidade de São Paulo

Eu adoro a USP.

Simples assim. Quando cheguei a São Paulo, migrando do Rio Grande do Sul, caminhava pelas alamedas monumentais da Cidade Universitária imaginando como deveria ser legal estudar ali. Criava cenários, analisava possibilidades, me via nas salas de aula, nas bibliotecas, nos clubes, nos botecos.

Vivíamos ainda no tempo da ditadura, no início dos anos 1980. Já respirávamos ares mais limpos, estudantes, operários, partidos e movimentos sociais tinham conquistado a anistia, o povo botava o pé na porta, estava prestes a raiar de novo a democracia no Brasil.

Já lá se foram 35 anos. Hoje volto à USP sem sonhar com suas salas de aula, mas sim para aproveitar novamente suas alamedas, a sombra, o asfalto bem alinhado: a USP virou, nas últimas décadas, palco de esportes, ponto de encontro para corredores.

Sem deixar de ser ambiente de debates –ainda que diversas administrações tenham procurado limitar o direito à palavra e à livre manifestação, enquanto outras chegaram, em plena democracia, a chamar a polícia para bater na meninada em revolta.

Com tudo isso na cabeça –a cidade universidade libertária e a academia opressora, os centros de recreação e o asfalto aberto para o corredor--, voltei hoje ao campus principal da Universidade de São Paulo, na zona oeste da cidade.

Na 31ª etapa da corrida por Manoel, rodei pela Cidade Universitária em busca da memória da luta dos estudantes e professores uspianos. Dali saíram figuras maravilhosas, que tiveram papel destacado na história da resistência democrática.


Iara Iavelberg dava aulas na Faculdade de Psicologia, Vladimir Herzog era professor de jornalismo, Alexandre Vannucchi Leme estudava geologia, Olavo Hansen era aluno da Poli, Frei Tito estudava psicologia.

Na minha corrida de hoje, visitei a todos eles.

Entrei pela portaria principal, o Portão 1, para fazer a volta de 10 km. Corredor é assim: não sabe nome de rua, não se lembra de mão nem contra-mão, mas tem percursos decorados na cabeça: a volta de 10, a volta de 6, a volta de 10 sem biologia, a subida do cavalo, a volta da prefeitura, a volta da raia.

Minha volta de dez quilômetros seria a tradicional, completa, com a subida da Biologia –uma rampa de cerca de dois quilômetros que testa a determinação do atleta e a força das panturrilhas (e dos quadríceps, dos pés, do coração...).

Comecei na reta da raia, que acompanha a lagoa –raia olímpica—em que o povo faz disputas de remo. Passei de passagem pela praça do relógio –é lá que fica o memorial em homem aos mortos e desaparecidos da USP durante o regime militar—e me fui para a subida do cavalo.



Essa rampinha é assim nomeada porque ao pé dela fica uma estátua equestre, em uma rótula em frente à entrada do IPT, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas. O monumento é em homenagem ao arquiteto e ex-prefeito de São Paulo Ramos de Azevedo.

Fiquei pensando se os heróis da resistência não seriam mais merecedores de memorial tão imponente. O fato é que a USP --sua administração, não seu povo—maltratou a memória dos uspianos combatentes da democracia.


Quando, finalmente, na segunda metade da década passada, foi decidido produzir um marco em homenagem aos uspianos mortos ou desaparecidos, o nome do projeto inicial falava em “vítimas da revolução” –o que provocou revolta na comunidade. 

Houve até um documento de protesto assinado por professores, alunos, ex-presos políticos e familiares de mortes e desaparecidos.

O que parecia –parece ainda, como veremos—é que a homenagem era envergonhada, apenas para cumprir uma obrigação. O que já é alguma coisa, penso eu enquanto faço a volta no monumento cavalar e subo em direção ao bosque da USP.

Esse é um dos lugares mais agradáveis da Cidade Universitária, cheio de sombras, de verde, de vida. Quando minhas filhas eram pequenas, a família passou horas caminhando pela trilha de um quilômetro, que oferece alguns equipamentos para exercícios ao longo do percurso.



Hoje me delicio apenas com os mil metros de chão batido, que ainda guarda trechos escorregadios. É uma trilha traiçoeira, com leves descidas e subidinhas progressivas: se o passante descuidar do chão, pode acabar de cara nele.

Subi a rampa da Biologia, desci pela rampa da FAU –no mapa, ruas do Matão e do Lago. De novo cá embaixo, fui para o Instituto de Geociências, minha primeira parada na jornada de hoje.

Ali, numa praça interna muito bem arrumadinha, está um marco em homenagem a Alexandre Vannucchi Leme.



Trata-se de monumento simples ao extremo, apenas um bloco de concreto que serve de base a uma placa de bronze em que se lê a seguinte inscrição:

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA


Comissão de Anistia

DIREITO À MEMÓRIA, À VERDADE E À REPARAÇÃO
Aos que lutaram e morreram por um Brasil democrático
Em 15 de março de 2013, realizou-se no Instituto de Geociências da USP a 68ª Caravana da Anistia em homenagem a ALEXANDRE VANNUCCHI LEME, nascido em Sorocaba em 05 de outubro de 1950. 
Excelente aluno e querido de seus colegas por sua liderança, cursou geologia neste Instituto entre 1970 e 17 de março de 1970, quando foi morto sob torturas nas dependências do DOI-CODI de São Paulo.
Foi declarado anistiado político por unanimidade pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, oficializando-se o pedido de desculpas do Estado brasileiro à sua família bem como o reconhecimento público ao seu legítimo direito de resistência contra o autoritarismo e a opressão.
Para que não se esqueça. Para que nunca mais aconteça.

Bem bacana. A placa está um pouco maltratada, mas até que a preservação é razoável. E o marco foi colocado num ponto bacana, nessa praça central que também tem outros ícones do mundo geológico, como blocos de madeira petrificada e colunas de rochas. Há ainda a inusitada presença de um modelo em ferro de um assustador tiranossauro.



Saí dali bem impressionado. E fiquei mais satisfeito ainda ao ver a estátua instalada no hall do Instituto de Química em homenagem à professora Ana Rosa Kucinski.

Militante da ALN (o grupo comandando por Marighella),  Ana Rosa desapareceu junto com seu marido, físico e também militante da ALN, Wilson Silva, em 1974. No ano seguinte a seu sequestro e desaparecimento, Ana Rosa foi demitida da USP por “abandono de função” –o que demonstra que nem sempre a academia se levantou contra a opressão, muito antes pelo contrário.

O monumento em homenagem a ela –uma rosa estilizada—foi inaugurado em 22 de abril de 2014, quando se completavam 40 anos de seu desaperceimento. Dias antes, a Congregação do Instituto de Química da USP  havia decidido por unanimidade revogar a exoneração da professora.



O então vice-reitor da USP, Vahan Agopyan, considerou a homenagem um reconhecimento de que a universidade cometeu um erro ao ter demitido a professora.  “É um reconhecimento, é a nossa história sendo passada a limpo. Nós temos de lembrar bem a história para não repetir os erros do passado. Para as novas gerações, isso é um marco físico", disse ele à “Folha de S. Paulo”.

Na placa de bronze colocada na parte frontal do bloco que sustenta a escultura da flor estilizada, está escrito o seguinte:

Homenagem do Instituto de Química da 

USP a

ANA ROSA KUCINSKI

PROFESSORA SEQUESTRADA E MORTA 

PELA DITADURA

12/01/1942 – desaparecida em 

22/04/1974

Que sua lembrança inspire as futuras 

gerações a lutar, como ela, contra os que 

tentam sufocar a liberdade.

Abril de 2014



Essas homenagens a Ana Kucinski e a Alexandre Vannucchi Leme são especiais, abrigadas nos prédios onde eles viveram sua vida acadêmica. O triste –e emocionante—é que praticamente todos os prédios da Cidade Universitária 
poderiam ter memoriais assim.

Foram quase 40 os uspianos assassinados pela ditadura militar, mortos ou desaparecidos entre 1964 e 1985. Eles evidenciam a face mais brutal e criminosa da ditadura, que também perseguiu a produção intelectual, cultural, acadêmica sem torturar nem matar, mas sim colocando um torniquete sobre a comunidade pensante.



Levantamento feito pela Comissão da Verdade da USP (Universidade de São Paulo) identificou 664 professores, alunos e funcionários que foram de alguma forma perseguidos durante a ditadura militar. 

Além dos atos explícitos –prisão, tortura, morte, expulsão, degredo--, havia controle  das ações de professores, alunos e funcionários .

Os mortos, pelo menos, foram homenageados pela USP. O monumento em sua honra fica em uma área pouco movimentada da praça do Relógio, num cantinho, a bem dizer.



São 11 blocos de concreto em que estão colocados, em com  letras de metal, os nomes dos uspianos que deram suas vidas combatendo pela democracia e pela liberdade.

O jornal da Associação dos Docentes da USP fez um levantamento dos casos, indicando o departamento em que eles atuavam e quando foram mortos ou despareceram.

Simples e mal cuidado, o monumento não é chamado de homenagem “às vítimas da revolução. Alguns blocos estão pichados; a sensação deste visitante é que a área é um tanto esquecida.



O nome oficial, impresso no primeiro bloco de concreto, é “Memorial em homenagem aos membros da comunidade USP que foram perseguidos e mortos por motivações políticas durante o regime militar (1964-1985)”.

Logo abaixo do nome há uma citação de um trecho da Declaração Universal de Direitos Humanos: “Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante”.

Pois é.



CORRIDA POR MANOEL – 31ª etapa

Destino – Cidade Universitária, USP, 

percurso de 24,53 km realizado em 3h15

Distância já percorrida: 330,91 km


ADENDO

Como disse acima, o processo de construção do Memorial provocou polêmica na comunidade uspiana e entre familiares de mortos e desaparecidos políticos. Eles chegaram a produzir um documento sobre o assunto. O texto, divulgado em março 
de 2012, é o seguinte:


Manifesto pela Democratização da USP


Nós, perseguidos pelo regime militar, parentes dos companheiros assassinados durante esses anos sombrios e defensores dos princípios por eles almejados assinamos este manifesto como forma de recusa ao monumento que está sendo construído em homenagem às chamadas “vítimas de 64” na Praça do Relógio, Cidade Universitária, São Paulo.

Um monumento na USP já deveria há muito estar erguido. É justo, necessário, e precisa ser feito. Porém, não aceitamos receber essa homenagem de uma reitoria que reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP, reiterando dispositivos e práticas forjadas durante a ditadura militar, tais como perseguições políticas, intimidações pessoais e recurso ao aparato militar como mediador de conflitos sociais. Ao fazer isso, essa reitoria despreza a memória dos que foram perseguidos e punidos pelo Estado brasileiro e pela Universidade de São Paulo por defenderem a democratização radical de ambos.

Esse desprezo pela memória dos que sofreram por defender a democracia, dentro e fora da Universidade, se manifesta claramente na placa que inaugurava a construção de tal monumento. A expressão “Vítimas da Revolução de 1964” contém duas graves deturpações: nomeia de “vitimas” os que não recearam enfrentar a violência armada, e, mais problemático ainda, de “revolução de 1964” o golpe militar ilegal e ilegítimo.

Essa deturpação da linguagem não é, portanto, fortuita. Resulta da ideologia autoritária predominante na alta cúpula da USP.

Durante a ditadura, essa ideologia autoritária levou a direção central da USP a perseguir, espionar, afastar e delatar muitos dos que então resistiam à barbárie disseminada na Universidade e na sociedade brasileira como um todo. Ainda macula a imagem desta Universidade a dura lembrança (i) dos inquéritos policiais-militares, instaurados com apoio ou conivência da reitoria; (ii) das comissões secretas de vigilância e perseguição; (iii) das delações oficiais de alunos, funcionários e professores para as forças de repressão federais e estaduais; (iv) da mobilização do aparato militar na invasão do CRUSP e da Faculdade de Filosofia em 1968; (v) da colaboração quase institucional da USP, na figura do seu então reitor, Luis Antonio Gama e Silva, na redação do Ato Institucional Número 5 – AI5; (vi) e da aprovação, por Decreto, do regimento disciplinar de 1972, que veda a docentes e discentes qualquer forma de participação política e confere à reitoria poder para perseguir os que o fazem.

Atualmente, essa mesma prática autoritária se manifesta não apenas na inadmissível preservação e utilização do regimento disciplinar de 1972 para apoiar perseguições políticas no interior da Universidade, mas também (i) na reiterada recusa da administração central da USP em reformar o seu estatuto antidemocrático, mais afeito ao arcabouço jurídico da ditadura militar do que à Constituição Federal de 1988; (ii) na forma pouco democrática das eleições dos dirigentes da USP, que assume sua forma mais absurda no processo de escolha do reitor por meio de um colégio eleitoral que representa menos de 1% da comunidade universitária; (iii) na ingerência do governo do Estado na eleição do reitor desta Universidade; (iv) e, mais grave ainda, na recorrente mobilização da força policial-militar para a resolução de conflitos políticos o interior desta universidade, tal como ocorreu, recentemente, na desocupação da reitoria da USP.

Nesse sentido, em memória dos que combateram as práticas da barbárie autoritária e suas manifestações, defendemos que a melhor forma de homenagear os muitos uspianos e demais brasileiros que tombaram nesta luta não é um monumento; mas, sim, a adoção dos princípios verdadeiramente democráticos em nossa Universidade, o que demanda o fim do convênio com a Polícia Militar, bem como o fim das perseguições políticas pela reitoria e pelo Governo de São Paulo a 98 estudantes e 5 dirigentes sindicais, através de processos administrativos e penais, e a imediata instauração de uma estatuinte livre, democrática e soberana, eleita e constituída exclusivamente para este fim.