Queridos e queridas, companheiros e companheiras
Nesta semana, começo nova etapa da jornada MARATONANDO COM O MST. Vou visitar acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais sem terra no Paraná, correr pelos campos e contar suas histórias
Estão todos convidados para visitar minha página, mandar críticas, sugestões, curtir, compartilhar, divulgar::: http://mstmaratonando.wordpress.com
Além disso, você pode colaborar com o projeto comprando meu sensacional livro +CORRIDA pelo preço de apoio de R$ 60 (mais frete, o que dá um total de R$ 72,50).
O colaborador ganha um sensacional marcador de livro com reprodução de obra produzida pela artista plástica Teresa de Teresa Lucena (veja a foto)
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18.10.15
16.10.15
Confira avaliação do Ignite XT, novidade da Puma para corridas
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| Ignite XT - Divulgação |
O tênis era muito bonito e levíssimo, mas nem um pouco adequado para corredores como eu, que sou lento e pesado.
Também não senti, nos testes, os tais movimentos do solado que prometiam tornar a corrida mais natural (talvez porque eu faça muito esforço para correr; não sou um atleta de nascença).
Bueno, passados pouco mais de dois anos, volto a avaliar um tênis da Puma, também lançado com pompa e circunstância –na apresentação internacional, teve até a cantora Rihanna, além de embaixadores mais ligados ao mundo do atletismo, como o homem mais rápido do mundo, o jamaicano Usain Bolt.
O tênis é o Ignite XT, evolução da linha Ignite, que tem desenho feérico como o nome pressupõe.
Só de olhar, dá para perceber que, desta vez, é uma calçado para corredores comuns: a sola tem boa camada de borracha e a área do calcanhar é mais alta do que a da frente do pé.
A primeira impressão foi confirmada quando calcei o tênis. É bem confortável e, diferentemente do outro modelo da Puma que avaliei, oferece um bom espaço para a parte da frente do pé. O dedo mingo agradece.
Fiz uma meia dúzia de corridas e caminhadas com o Ignite XT, completando cerca de 80 quilômetros. Não percebi o tal “maior retorno de energia” prometido pela propaganda do modelo.
Aliás, esses clichês são difíceis de entender e mais difíceis ainda de confirmar. Afinal “maior retorno” do que o oferecido por qual calçado? Como se mede isso? Como foi medido no caso específico do Ignite XT?
Não digo que a afirmação do material de divulgação não seja verdadeira. Imagino, porém, que ela só possa ser medida com testes específicos.
O que dá para comprovar, no asfalto e na terra, é que o calçado de fato é muito confortável e que oferece um bom amortecimento.
Talvez o solado no calcanhar seja até flexível demais –em descidas mais fortes ou quando acelerei um pouco mais tive a sensação de que a borracha cedia demais. Mesmo assim, de modo geral a sensação é de segurança na passada –pelo menos, nas distâncias que percorri, de até 20 km.
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| Lingueta abre só de um lado - Foto Rodolfo Lucena |
Longe do mundo minimalista, o XT pesa 286 gramas, o que é bastante razoável para calçados com bom amortecimento –um modelo que testei recentemente pesa 264 gramas. E continua abaixo do peso dos modelos mais tradicionais (o que uso para correr maratonas pesa mais de 320 gramas).
Seu preço de lista é R$ 449,90, mais barato do que modelos de ponta das grandes marcas, mas acima dos preços oferecidos por marcas que tentam ampliar sua fatia de mercado no Brasil. De qualquer modo, é um calçado que vale experimentar.
13.10.15
Melhor brasileiro na maratona de Chicago festeja como campeão
Olha, não desminto ninguém que diga que
eu sou bairrista, mas a cada dia surgem novas comprovações de que tenho razão. É
gaúcho o melhor brasileiro na maratona de Chicago deste ano. É bem verdade que,
nascido em Porto Alegre há 43 anos, ele só começou a participar de corridas
quando se mudou para São Paulo, já lá se vão 16 anos.
Estou falando de Jacques Jochims
Fernandes, leiloeiro de profissão e atleta amador dedicadíssimo. O cara é
daqueles para quem a frase “movido a desafios” se encaixa mesmo como uma luva.
Quando chegou a São Paulo, foi convidado
por amigos para participar de uma prova de dez quilômetros. Tendo praticado
outros esportes até então, resolveu aceitar. Para botar fogo na coisa, os
amigos duvidaram que conseguisse fechar em menos de 50 minutos. Pois completou
sua prova de estreia em 48 minutos.
De lá para cá, o entusiasmo virou “uma
vontade louca de sempre melhorar os tempos”, como ele me disse em mensagem por
e-mail. Fez muitas corridas de 10 km, participou de meias maratonas, chegou ao
tratlo, completou dois IronMan, tem no currículo três Cruce de Los Andes e uma
Comrades –o Jacques não é fraco não.
Fiquemos pois com o texto que ele
escreveu especialmente para este blog. Obrigado, Jacques, pela colaboração e
pelas fotos. Vamos ao relato da participação do gaúcho que foi o melhor
brasileiro na maratona de Chicago.
"Corri em Chicago a minha primeira
maratona, em 2005. Depois dela, foram outras 18 provas, nos mais diversos
lugares. Voltei agora para fazer minha maratona número 20.
Tive várias provas marcantes, como
quando pela primeira vez completei a distância em menos de três horas, em Berlim,
ou a maratona de Boston no ano do atentado.
Aquilo foi muito triste, e me fez
voltar lá no ano seguinte. Essa prova me marcou muito: neste ano de 2015, retornei
a Boston mais uma vez, agora em homenagem ao meu pai, que havia morrido semanas
antes.
Eu nem estava inscrito para a prova,
mas mandei um e-mail para a organização, liguei para eles, conversei sobre a
homenagem, e eles me aceitaram. Pronto: eis aí mais uma prova do que essa
maratona é para mim. Voltarei todos os anos para Boston se eu conseguir. Já
está tudo certo para 2016.
Foi demais essas prova, nada fácil e
bem dura, mas, como digo sempre, a cabeça forte, foco, e claro muito treino e
dedicação, fazem chegarmos perto do que queremos. A chegada foi emocionante e
com o tempo de 2h58: a Gabi era uma sub3.
Chegamos a Chicago!
Essa cidade é demais. Quando corri aqui
minha primeira maratona, quis ousar, mas
quebrei no final da prova e terminei com 3h22. Voltei no ano seguinte e mais
consistente e entendendo que não é só festa correr uma maratona, seguindo os
treinos à risca, terminei com 3h05.
A cidade de Chicago e a população
abraçam a prova com carinho, o que ajuda muito durante a prova. A organização
aqui é impecável. Muitos hotéis próximos à largada colaboram para a logística
no dia da prova.
É uma prova plana e bastante rápida, o
que a credencia para quem queira buscar
performance e baixar seus tempos. O clima aqui tem variado muito, mas sempre
com tendência de ser uma prova fria, o que não aconteceu neste ano.
Diante de todas essas variáveis, e por
ter corrido aqui havia muitos anos, sem um resultado muito bom, decidiu voltar
e fazer uma prova muito forte, tudo ou nada. Iria para a morte, como
costumamdizer.
Treinei realmente muito forte, fazendo
muito volume semanal --cerca de 130 quilômetros--, com dieta restrita para estar o mais leve
possível, o que faz uma grande diferença.
Queria melhorar meu recorde pessoal,
que era de 2h53 em Boston em 2014. Estava muito focado e determinado.
Quando começou o assunto de que faria
calor no dia, o que realmente fez, pensava em não deixar isso abalar minha
confiança e determinação. Foco é foco, e a cabeça tem que mandar no corpo.
Todas as provas uso isso a meu favor.
Mentalizo quando corro o tempo inteiro. E assim larguei esse ano aqui em
Chicago com a meta de fazer 2h50 !
Nessa prova iria seguir a risca o
planejado pelo Emerson, meu técnico da MPR, com um início de prova um pouco
mais lento, aumentando depois do km 3, para administrar no final.
Comecei como planejado. Quando
acelerei, acabei encontrando um pelotão de uns seis ou oito corredores com
camisetas iguais, que estavam muito pouco abaixo do que era para eu manter de ritmo. Pensei que seria melhor
correr junto com eles do que ir sozinho tomando
vento na cara, pois também ventou bastante em alguns pontos.
Funcionou bem, mas não contava que o
pelotão quebrasse tão cedo: no km 32 já estava sozinho. Mas, como sempre digo,
maratona é uma prova de 10 km com um aquecimento de 32 km, era naquela hora que
tudo começava, era a hora de fazer força.
Cabeça forte, cabeça...mentalizo e
converso comigo mesmo que vou fazer !! Mesmo que esteja cansado nunca digo ou
penso nisso durante a prova quando estou correndo. Passei no km 35, onde estava
meu técnico, e mandou segurar firme o ritmo, pois estava no programado, mas não
poderia perder ritmo.
No km 38 entramos na avenida Michigan,
que leva para a chegada. Um cansaço pesou as pernas, mas consegui segurar bem por
mais 2 km. No km 40 tive uma sensação de melhora, mas não melhora nada, é só
psicológico, pois vai terminar, mas é o suficiente para ajudar.
Pensei em acelerar um pouco e tentar
chegar com 2h49, mas via pessoas que estavam correndo bem ao meu lado e, de uma
hora para a outra, tinham câimbra e paravam.
Resolvi não arriscar o que teoricamente
já estava construído. No final, após a subida que entra na reta final no meio
do parque, faltando uns 400 metros, olhei no meu relógio e cogitei ainda chegar
em 2h49.
Isso é fantástico! É difícil explicar
a sensação que sentimos, só quem corre sabe dimensionar este sentimento.
Chicago é demais !
E, como surpresa, por neste ano não ter
vindo nenhum profissional correr a prova, ela ainda se tornou mais marcante.
Além de ter feito meu recorde pessoal, tive a grata satisfação de ser o melhor
brasileiro na Chicago Marathon 2015."
12.10.15
“Velhinha” Deena Kastor é destaque na lenta prova de Chicago
As mulheres da elite bem que tentaram fazer da
maratona de Chicago uma prova competitiva, vibrante, estimulante.
Até a metade
da prova, o primeiro pelotão feminino correu vários blocos de cinco quilômetros
em ritmo que, se mantido, traria como resultado um tempo final sub2h20.
Não é grande coisa, se comparado com o recorde
mundial, mas é melhor do que nada. Hoje em dia, aliás, a marca de 2h20 parece
ser a que divide as supercorredoras da elite internacional.
Já os homens nem chegaram perto de tentar ao menos
o recorde do percurso na prova realizada no último domingo. Rodando sem
coelhos, mesmo os mais rápidos e experientes quenianos resolveram ficar
cozinhando o galo, guardando energias para disputar apenas o título do dia –e uma
grana bem razoável, cem mil doletas...
Talvez tenham achado que nem os US$ 5.000 de bônus para
correr abaixo de 2h08 valessem a pena o esforço, talvez nenhum deles estivesse
em um dia bom, vai saber... O certo é que ninguém se animou mesmo com os R$ 75
mil para recorde do percurso ou R$ 40 mil para sub2h05min30...
Apenas dois norte-americanos deram um pouco de
sangue e energia para o asfalto.
O grandalhão Luke Puskedra (mais de 1,90 m)
ficou firme e forte com o primeiro pelotão e acabou fazendo o melhor tempo
norte-americano do ano (2h10min24), que lhe valeu o quinto lugar.
Naturalizado norte-americano, tendo
até servido ao Exército dos EUA, Elkanah Kibet –natural do Quênia— mostrou galhardia em
sua estreia na distância. Sem medo do vento, puxou o primeiro pelotão por um
bom tempo, completando em 2h11min31. O campeão foi Dickson Chumba, com
2h09min25.
Entre as mulheres de elite, a atração durante boa
parte da prova foi a balzaquiana Kayoko
Fukushina, que combateu com firmeza atletas mais jovens e com melhor recorde
pessoal, changando a liderar a prova por vários quilômetros. O esforço pesou, e
ela acabou em quarto lugar. A campeã foi a queniana Florence Kiplagat, com 2h23min33.
Dito isso, vamos ao que interessa, àquela que
correu com sangue nos olhos, contra o relógio e contra a idade.
Estou falando
da medalhista olímpica Deena Kastor (bronze em Atenas 2004), 42, que bateu o
recorde norte-americano da maratona para veteranos (maiores de 35 anos).
Eu sou um admirador da Kastor desde sua performance
olímpica. Naquele ano, tive oportunidade de entrevistá-la e conversamos por
e-mail sobre táticas de prova –em Atenas, sob forte calor, ela deu uma aula de
paciência e resistência na maratona.
Pois neste domingo ela manteve a escrita, saindo
com muita calma, conhecedora de suas limitações e de sua capacidade. Também
sabia precisamente a marca que deveria ser batida –2h28min40, recorde que já durava
uma década, estabelecido pela grande maratonista Colleen De Reuck aos 41 anos.
Kastor largou forte, com ritmo que a colocaria na
casa das 2h27. Chegou a reduzir um pouco depois do km 15, mas sempre ficando
perto da marca a ser batida. Passando a metade da prova, porém, tratou de
queimar o chão, disposta a não deixar passar essa oportunidade de mostrar que
as “velhinhas” também correm.
Dona do recorde norte-americano da maratona –2h19min36
(Londres-2006)--, ela agora é também a mais rápida veterana da história do
país. Completou a prova em 2h27min47, o que leh valeu o sétimo lugar.
Não só: sua marca é agora o quarto melhor tempo entre as qualificadas para participar
da seletiva para escolher a equipe norte-americana que vai correr a maratona olímpica
Rio-2016.
Ainda
entusiasmada pelo ótimo resultado dominical, Kastor não fala sobre planos
futuros. Mas disse à imprensa norte-americana que espera estar em boa forma em
fevereiro, quase será realizada a seletiva.
“Se eu tiver gana, estarei na linha
de largada”.
Tomara. Mesmo que não se classifique para sua
quarta olimpíada, é de se esperar que não vá fazer uma corrida medíocre.
8.10.15
No Dia da Criança, corrida denuncia violência contra os menores
No
Dia da Criança, o povo de
Cachoeirinha, cidade na região
metropolitana de Porto Alegre, vai fazer uma festa diferente. Uma tradicional
corrida do município
lança os holofotes
sobre um problema muito sofrido e pouco divulgado na nossa sociedade:a violência contra os
menores de idade.
A
10ª edição da Rústica contra a Violência Infantil tem
um percurso de 8,5 km para adultos e de 1,5 km para crianças. Haverá também atividades
recrativas e sorteio de brindes.
Não dá mais para fazer
inscrições pela internet,
mas, de qualquer forma, se você
morar na região, dê uma olhada no site
oficial do evento (CLIQUE AQUI). Lá há informações de contato; de repente, ainda é possível fazer inscrições de outra maneira.
Ou dá para ver como você pode colaborar com
as entidades beneficentes que organizam a corrida.
Acho
de extrema importância
que colegas corredores comecem a usar eventos de rua para denunciar problemas
graves de nossa sociedade. Já
temos várias corridas que
procuram divulgar informações
sobre males que nos afligem; a violência contra a criança é uma doença social.
E
não só brasileira. Estudo
realizado pelas Nações
Unidas (clique AQUI) mostra que, em 2002, quase 53 mil crianças morreram
em todo o mundo em 2002 vítimas de homicídios.
A organização Mundial da Saúde estima que 150 milhões
de meninas e 73 milhões de meninos abaixo de 18 anos foram forçados a manter
relações sexuais ou sofreram outras formas de violência sexual que envolveram
contato físico em 2002.
Segundo uma estimativa da OMS, entre 100 milhões e 140 milhões de meninas e mulheres do mundo
sofreram alguma forma de mutilação genital.
Estimativas da OIT (Organização Internacional do
Trabalho) indicam que, em 2004, 218 milhões de crianças participaram de
esquemas de trabalho infantil, das quais 126 milhões em atividades perigosas.
Estimativas
de 2000 sugerem que 5,7 milhões de crianças foram submetidas a esquemas de
trabalho forçado ou escravo, 1,8 milhões se envolveram com a exploração sexual
e a pornografia e 1,2 milhão foram vítimas de tráfico.
Além disso, há a violência secreta, no interior das
casas. Os espancamentos, os abusos sexuais, a intimidação, os maus tratos.
É um tema espinhoso, dolorido para muitos. Mas é
preciso que seja trazido ao debate.
Encontrei na internet uma longa entrevista
de um médico pediatra que fala sobre o assunto. Vale a pena dedicar um tempo
para a leitura. Clique aqui para acessar o texto.
6.10.15
Confira avaliação da linha de tênis de corrida da Skechers
Acabo de testar a linha de tênis de corrida da Skechers,
empresa norte-americana que se notabilizou por lançar calçados esportivos de
baixo custo relativo.
Conquistou boa fatia do mercado de frequentadoras de
academia no final da década passada com o lançamentos dos calçados shape-ups,
que prometiam reforçar a musculatura de coxas e bumbum.
A promessa custou caro à
empresa, que foi processada por agentes reguladores de mercado dos Estados
Unidos, acusada de propaganda enganosa. Não foi condenada, mas fez acordo para
acabar com a ação judicial.
Águas passadas, a Skechers tratou de ampliar seus investimentos
no mercado de calçados de corrida, fazendo logo de cara a contratação de um
excelente garoto-propaganda.
Em 2010, aos 35 anos, o medalhista olímpico Meb Keflezighi terminou a maratona de Nova York
em um modesto sexto lugar. No ano seguinte, recebeu da Nike o bilhete azul: seu
contrato não foi renovado.
Pois a Skechers, que
lançara em 2010 sua divisão de calçados de performance, aposto no cara. E viu
sua estrela chegar em quarto lugar na maratona olímpico de Londres-2012.
Melhor: Meb se tornou, em 2014, o primeiro norte-americano a vencer a maratona
de Boston desde 1983!!! (saiba mais sobre a contratação neste texto em inglêsAQUI).
Claro que a empresa lançou
um tênis de corrida com o nome de sua estrela. O GOmeb Speed 3 é o calçado mais
especial entre os que testei. Foi desenvolvido com a colaboração do próprio
maratonista, que usou o dito cujo em provas de grande exposição midiática.
Além do GOmeb,
experimentei também o GOrun 4, mais modernoso da linha performance hoje
disponível no país, o GOrun Ultra 2 e o GOrun Ride 4. Fiz de três a cinco
corridas com cada um deles, além de usá-los também em várias caminhadas –a exceção
foi o GOmeb, e já explico por quê.
A principal razão é que
cada vivente tem um corpo, e nem tudo o que serve para uma pessoa serve para
outra.
O tal calçado de maratonas criado com base em opiniões do maratonista
olímpico dos EUA com certeza deve ser muito bom para alguém leve, rápido, com
pés finos e baixos, que faz treinos de pouca duração. Tudo o contrário deste
seu criado, que é gordinho, lento, tem pés chatos, altos e largos.
Para piorar as coisas, o desenho
do cabedal do calçado faz com que ele seja bem justo sobre o peito do pé, apertando
vigorosamente a parte lateral.
ara corredores rápidos, isso talvez faça
sentido. Não para mim. Vai daí que usei o calçado do Meb em apenas um treino.
Achei que seria um risco seguir com a experiência.
O GOrun 4 é um pouco
melhor para as minhas dimensões. Tem mais amortecimento do que o GOmeb e é
bastante confortável e leve.
Seu cabedal se ajusta
carinhosamente sobre os pés.
A chamada toebox, área da frente do calçado, é bem
larga, o que me agradou bastante –apesar de ser o número 11, e não o 11,5, que costumo
usar, não ficou apertado. Mas ainda está mais próximo do mundo minimalista do
que me parece confortável.
Já os outros dois modelos
me conquistaram pelo conforto, leveza e alto grau de amortecimento.
O Ultra2 chega a ser meio
monstro, com camada de borracha bem gordota e bastante flexível. O design do
solado induz o corredor a uma passada que começa pelo meio do pé.
Nas primeiras
caminhadas e corridas, a sensação é de instabilidade –algumas vezes, quase bambeei
o pé--, mas a gente se acostuma e logo passa a aproveitar o ótimo amortecimento
do calçado.
Espécie de meio termo
entre o GOrun 4 e o Ultra 2 no que se refere a peso e amortecimento, o Ride 4
inspira confiança logo de cara. Tanto que, na primeira vez que o coloquei nos
pés, já saí para um treino de 15 quilômetros.
Não tive problemas maiores e
gostei da leveza do calçado –estou acostumado a tênis mais pesados e um pouco
menos flexíveis.
Enfim, me parece uma linha
de tênis para treino e corrida que vale a pena ser examinada na hora da compra
de novos calçados.
Os preços podem ser fator decisivo na hora da escolha, pois
são bem mais baixos que os de marcas mais conhecidas no mercado brasileiro.
O
Ride 4, por exemplo, tem preço de lista de R$ 299,99, mas já vi na internet com
desconto de 10%.
5.10.15
Mais jovem campeão mundial da maratona quer brilhar no Rio
A Folha publicou hoje entrevista que fiz com Ghrmay
Ghebreslassie, mais jovem campeão mundial de provas de rua na história da IAAF,
a Fifa do Atletismo. Aos 19 anos, ele venceu a maratona no Mundial de Pequim,
em agosto último, deixando para trás superferas. Dadas as limitações de espaço
no jornal, o texto publicado foi apenas um pedaço do material que produzi. A
seguir, leia o texto integral.
Chegava a ser chato. O narrador do Mundial de maratona
não se cansava de comparar o líder da prova com o grande corredor etíope Haile
Gebrselassie, um dos maiores maratonistas da história. Não poucas vezes, fez
alusões a um suposto parentesco entre o garoto que liderava a corrida e o
monstro que chegou a ter 27 recordes mundiais.
A bem da verdade, o locutor esportivo brasileiro não
está sozinho na sua confusão. No verbete da Wikipedia dedicado a Ghirmay
Ghebreslassie –atleta da Eritreia que fez história correndo em Pequim em 22 de
agosto último— aparece o aviso: “Não confundir com Haile Gebrselassie”. E até
no site da sisuda IAAF que organiza o Mundial, um dos textos
inicia falando do quase-homônimo.
Não tem nada a ver, é claro. Aliás, talvez os dois
nomes nunca chegassem a aparecer juntos não fosse a cabeça dura do jovem
eritreu. “Meus pais desejavam que eu me tornasse um estudante universitário,
mas eu queria ser um bom atleta”, disse ele à imprensa internacional depois da
prova.
E assim, desafiando a vontade paterna, tratou de se
exercitar nos períodos em que não estava na escola, na pequena Kisadeka, onde
Ghebreslassie nasceu em 14 de novembro de 1995, filho de uma família de
trabalhadores rurais.
Mas só começou a participar de competições de verdade
em 2009, conforme contou em entrevista que me concedeu por e-mail.
“Minha primeira corrida foi uma prova de 1.500 m. Eu só me lembro
de que era o menorzinho da turma. E de que fui o campeão.
Situação que se repetiu em Pequim, em agosto passado.
Mirrado, com bigodinho fino e olhar de cenho carregado, que fazem com que
aparente ser mais velho, o adolescente se tornou o mais jovem atleta a ganhar
uma prova de rua em Mundial.
Em nenhum momento se intimidou frente aos nomões que lá
estavam -–para começar, o atual recordista mundial da distância e seu
antecessor, Dennis Kimetto e Wilson Kipsang, ambos quenianos e ambos mais
velhos do que o eritreu.
“A experiência, por si mesma, tem grande valor”,
reconhece Ghirmay, de 19 anos, acrescentando: “Mas também é preciso ter talento
para saber controlar o ritmo na maratona”.
Foi o que ele fez naquele dia, em que seguiu as
precisas orientações de seu treinador, o holandês, com quem trabalha desde
2013. “Corri como planejado. Apesar de eu poder ir mais rápido, fiquei com o
pelotão até por volta do km 34, para guardar energias para os quilômetros
finais e resistir à alta umidade”.
O plano funcionou. O jovem teve forças para uma dura
disputa cabeça a cabeça com o etíope Yemani Tsegay, dez anos mais velho que o
eritreu: “Ele me passou no km 38, mas eu respondi imediatamente. Fiquei nas
costas dele, pensando que o ouro tinha de ser meu. Então disparei”.
Foi com tudo, mas sem perder a cabeça. Bem antes da
largada, ele e seu treinador já acreditavam que Ghirmay poderia vir a ser o
campeão.
Por isso, foi combinado que o técnico holandês ficaria
na boca do túnel, na entrada da pista de atletismo do estádio Olímpico, onde
seria o final da maratona, carregando uma bandeira da Eritreia.
Caso Ghirmay chegasse na frente, ergueria bem alta a
flâmula nacional. Na hora, porém, o holandês estava conversando com um jornalista
da Eritreia, e foi este quem acabou entregando a bandeira para Ghirmay.
O jovem então fez das tripas coração para botar mais
força e velocidade, agora homenageando a pátria africana.
Parte de suas energias, acredita o jovem campeão, vem
da sua alimentação.
Vive em Asmara, capital de seu também jovem país –a
Eritreia conquistou sua independência da Etiópia em 1993--, mas sempre que pode
busca alimentos produzidos por sua família.
“É tudo comida orgânica”, diz, afirmando que dá
preferência a vegetais e sementes como base de sua alimentação.
Depois de fazer história no atletismo como mais jovem
campeão mundial na maratona e primeiro medalhista de ouro em seu país, Ghirmai
nem pensa em pendurar os tênis de corrida.
Nos seus planos imediatos está passar uma temporada de
treinamento nos Estados Unidos --que não
estava confirmada quando concedeu a entrevista à Folha. E sonha, claro, com a
Olimpíada: “Quero brilhar como um diamante na maratona no Rio de Janeiro”.
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