9.2.15

A primeira maratona como aposentado

Que ninguém se engane: sou um corredor experiente, ainda que lento. Já fiz mais de 30 provas longas, de maratonas até um enorme desafio de cem quilômetros, que me tomou mais de 15 horas para completar.

O tempo, a distância e o asfalto, porém, cobram seu preço em dores. Tenho hérnias, lesões musculares, estiramentos, encurtamentos, tendinites, fraturas, inflamações e unhas maltratadas.

Por tudo isso e mais um pouco, estou há quase dois anos sem condições físicas –e, não poucas vezes, psicológicas-- de sequer treinar para uma maratona.

O pior é que o tempo não para, como provam minhas barbas brancas. Em agosto passado, depois de diversas idas e vindas ao INSS, documentos recuperados, declarações de empresas, retificação de dados e não-sei-mais-o-quê, finalmente entrei na maravilhosa –-terrível? apavorante?—condição de aposentado por tempo de contribuição (foto Rivaldo Gomes/Arquivo Pessoal).

Mereci. Meu primeiro registro em carteira é de fevereiro de 1975, dias depois de ter completado 18 anos. Trabalhei num banco, fazendo conferência de dados de empréstimos da carteira rural. Depois fiz traduções, dei aulas e enveredei afinal pelo jornalismo, em que milito há quase 40 anos.

Fui noticiarista, redator de programa de rádio, repórter de buraco de rua e morte na esquina. Durante a ditadura, vi na escrita o caminho para a liberdade: trabalhei na imprensa sindical e em jornais de oposição, estive em reuniões clandestinas e em manifestações de rua.

A redemocratização me pegou casado e com duas filhas. Enveredei pelo que chamávamos então de grande imprensa. Um recomeço: de novo repórter, passando a editor-assistente, chefe de reportagem e, por muitos anos, editor.

Foi um longo período de sedentarismo, décadas a fio. Depois dos 40 anos, comecei a correr. Um pouquinho hoje, mais um tanto amanhã; quando vi, estava fazendo maratonas, apaixonado por um esporte em que cada passo é uma conquista, uma realização. Viajei o mundo para correr, escrevi livros, derramei encantos e emoções por espaços virtuais e páginas de jornal.

Ficar sem correr é um martírio. Os últimos meses de dores me deixaram mais gordo, mais fraco, menos determinado, menos capaz, mais triste. Preciso virar o jogo.

Por isso inventei este desafio: a primeira maratona como aposentado. Tendo a corrida como meta, vou tentar enrijecer e emagrecer, ficar mais flexível e mais feliz, mais forte e mais rápido. Se tudo der certo, em junho próximo estarei na largada de uma prova no Alasca.

Não começo sozinho. Minha mulher e minhas filhas são inspiração, apoio, carinho, fonte de vida e calor.

Há mais. Para enfrentar as dores, consertar os defeitos do corpo, combater a gordura e aprender a comer melhor, tenha a ajuda do sensacional povo do Instituto Vita; para orientar meu treinamento e preparação física, conto com o apoio, suporte e companheirismo do excelente pessoal da Força Dinâmica –ao longo dos próximos meses, você vai conhecer melhor cada um deles.

Não menos importante: espero ter sua honrosa companhia nessa jornada, que contarei nestas páginas. Vou falar de treinamento e saúde, entrevistar especialistas e outros veteranos corredores, discutir a aposentadoria, as dores e os prazeres da vida depois dos 50 –dos 60, dos 70...--, trazer dicas para quem também quer (re)começar.

Venha comigo. Gostaria muito de ouvir suas críticas e sugestões, saber de suas dúvidas, comemorar seus feitos. O convite está feito, agora é hora de partir para a rua. Vamo que vamo!


29 comments:

  1. Boa sorte no novo projeto e sucesso na(s) próxima(s) maratonas.
    Já sou leitor de seus livros e espero poder acompanhar o blog na medida do possivel.
    Abços
    @marcoprimeiro

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  2. Parabéns pelo novo blog. Já te seguia, e agora então... Vamos que vamos!

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  3. Grande Rodolfo! A partir de hoje, acompanharei a sua jornada, torcendo por você e buscando inspiração para a minha. Força nesse caminho! Abraço.

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  4. Boa sorte nesta "nova etapa" da vida. Continuarei acompanhando seus belos relatos! abração! Marcelo Jacoto

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  5. Vou te acompanhar de longe, meu amigo, também não to gostando nada desta tal melhor idade! (quem será que inventou esse nome ridículo) Grande abraço!

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    1. A passagem do tempo também tem o seu valor, caro Miron

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  6. Parabéns pela meta traçada e determinação.
    É isso aí.
    Foi arranjar uma prova bem longe, hein?
    Estarei acompanhando e torcendo por você.
    Só uma pergunta: o "+ Corrida" continuará na Folha?
    Abs
    Lia Campos

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    1. Sim, prezada Lia, o +Corrida está vivo e forte. ESte aqui é um projeto particular, de escopo mais específico

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  7. Conte comigo para seguir você nessa saga! Me identifico com a quantidade de dores que vc sente. Embora eu seja um corredor relativamente novo (29 anos), ano passado fiquei 2 meses parado por causa de uma canelite. E parece que essa dor continua a me incomodar. Mal começou o ano e já fiquei de molho por mais de uma semana. Mas é isso aí: vamo que vamo!

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  8. Grande Rodolfo,
    Como sempre estou torcendo a distância pelo seu sucesso. Tenho certeza que essa 1a Maratona sai em breve.
    Forte abraço!
    Rodrigo Lucchesi

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  9. Pois, é, mas acredito que de todas maratonas citadas e realizadas, a mais complicada foi a da "Previdência", com tantas indas e vindas, eita circuito cansativo. rsrsrsrsrs

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  10. Parabéns Lucena! Estarei acompanhando o blog, firme e forte, torcendo para que vença os contratempos eventuais e seja recompensado pelo seu esforço!
    Grande abraço

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  11. Oá Rodolfo! Prazer em conhece-lo! Também sou corredor aposentado e blogueiro, só que um pouquinho mais velho, ou seja na categoria 70/75! Vou acompanhar suas postagens. Sucesso. Um grande abraço. Ah! quando tiver um tempinho visite meus blogs. http://joseamancioneto.blogspot.com.br/
    http://corredordaterceiraidade.blogspot.com/
    http://www.jornalcorrida.com.br/runbrasil/category/destaques/colunistas/correr-nao-tem-idade/

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    1. Que beleza, hein, José. parabéns pelo blog e obrigado pela leitura

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  12. Parabéns pela força e determinação, um grande exemplo para todos nós corredores ou não.....

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  13. Parabens Lucena! Boa sorte no novo projeto. Gosta de uma frase do Pe Fabio de Melo "Não careço chegar, o caminho já é o lugar" com isso gosto de correr..o momento, a corrida... vá com fé!

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  14. Isso aí! As dores são um aditivo e um estímulo para quem gosta de correr nunca desistir. Vencida a maratona do inss agora é mesmo Vamos um vamos no pace e ritmo que der pq somamos vida aos nossos dias ! Longa vida .Abraço

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  15. Isso aí! As dores são um aditivo e um estímulo para quem gosta de correr nunca desistir. Vencida a maratona do inss agora é mesmo Vamos um vamos no pace e ritmo que der pq somamos vida aos nossos dias ! Longa vida .Abraço

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