11.6.15

Antes de viajar, aposentado questiona se está preparado para correr no Alasca


Nos últimos dias, os amigos e conhecidos que encontram se despedem desejando boa prova na minha volta à maratona e, meio brincando, meio desafiando, acabam sempre por lançar a pergunta: Você está preparado para correr no Alasca?

Eu sempre digo que não, nunca vou estar preparado. 

Aliás, conheço pouca gente que chega a uma maratona e diz que está pronto para corrê-la. Alguns passaram mal a noite, outros não conseguiram treinar direito nos últimos dias, há os insatisfeitos com o clima e os que reclamam de lesão.

O fato é que nossa preparação nunca é tão boa quanto gostaríamos, simplesmente porque o que gostaríamos é algo que está no terreno dos sonhos, das ambições, dos projetos, do imaginário. E a preparação para a maratona, ao contrário de tudo aquilo, é dura, fria, concreta, feita de milhares de passos.

Alguns movimentam as pernas mais rapidamente, dedicam seis ou sete dias aos treinos; outros precisam dar mais descanso ao corpo. Enfim, cada um tem seu cada qual.

Hoje fiz meu último treino no Brasil, rumo à maratona de Anchorage, cujo nome completo é Mayor`s Midnight Sun Marathon & Half Marathon. Foram 20 quilômetros sob o sol de outuno, rodando boa parte deles no Ibirapuera, percorrendo todas as trilhas onde tantas vezes passei ao longo dos últimos 17 anos, gozando da sombra de enormes árvores.

No quilômetro sete, minha perna esquerda bambeou. Por alguns segundos, simplesmente perdi o controle de tudo o que havia do joelho para baixo. Pensei que fosse me esborrachar no chão, mas consegui movimentar o pé esquerdo e, assim, recuperei o domínio da perna. Recuperei ma non troppo: por algumas centenas de metros, segui mancando.

O músculo que acompanha a tíbia parecia ter se rompido. Não havia dor nem nada, apenas o dito cujo não funcionava. Mesmo assim segui até o km 8, quando iria dar uma parada para tomar água e, em seguida, caminhar por 300 metros –todos os meus treinos são assim, formados por blocos de corrida e caminhada.

Quando chegou a hora de voltar a correr, parecia que nada tinha acontecido. Segui mais lento e temeroso, mas fui em frente. 



Corri no asfalto e na terra batida, sobre a grama e nos pedregulhos da pista de Cooper, até que resolvi ir embora para aproveitar a corrida até o ponto de ônibus.

Para mostrar que aqui ninguém tem medo de lomba, completei o percurso subindo a Brigadeiro até a avenida Paulista.

Com o percurso de hoje, completei 729,34 km no processo de preparação orientado pelo Alexandre Blass, da Força Dinâmica, e apoiado pela turma do Instituto Vita, sob a coordenação de Luca Mameri. De fato, talvez tenha chegado aos 800 km, pois a maioria dos treinos exclusivamente de caminhada não registrei com o GPS.

O resumo da ópera, considerando o que meu relógio marcou, é este aqui:



Maratonistas experiente podem torcer o nariz e fazer pouco desses índices. De fato, eles são modestos. Mas digo-lhe com orgulho que, há 15 dias, fiz um treino de 32 km sem sentir dor.

Na primeira semana deste projeto de Aposentado Corredor, no início de fevereiro, eu me arrastava e sofria para conseguir completar 12 km generosamente distribuídos em oito blocos de 1.100 m de corrida por 400 metros de caminhada.

Tinha fortes dores nas costas, no quadril, na coxa, o pé esquerdo me incomodava e o ânimo era quase nenhum. Hoje à tarde, na fisioterapia, nenhum músculo doeu.

Não quero parecer um sujeito otimista –mesmo porque eu não sou um sujeito otimista. Mas é fato que meu corpo está menos doente do que há quatro meses; e é fato que eu acredito que vou conseguir.

O que não dá camisa a ninguém. Na maratona, assim como na vida, “a prática é o critério da verdade” (donde se conclui que Lênin, autor da frase entre aspas, além de ser especialista em vida também entendia de maratona –ou não, sei lá). No dia 20 de junho de 2015, a gente vai saber.

Como bom torcedor do Grêmio, vou para a linha de largada para o que der e vier.

Vamo que vamo!!!


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